Urb Ana

Ela é a menina que se esconde.
À noite anda de capuz, a passo apressado debaixo de uma luz demasiado branca por túneis e edifícios embrutecidos pelo betão.
Há 3 ou 5 mendigos estendidos pelo chão. Uns caídos agarrados a garrafas, outros a dormir.
Os acordados, grunhem qualquer coisa, chamam-na, em vão. Continua ensimesmada.
Não é lá muito confiante. Ainda assim todo o cuidado é pouco, esta hora não é para brincadeiras numa cidade grande em qualquer parte do mundo.
A caminhada para casa depois do aperto chamado metropolitano, faz-se já sem contemplações.
Nem mesmo o prostituto com cara de miúdo a distrai. Assobia qualquer modinha latina com o pé encostado a uma parede, desafia quem passa a passar um bom bocado.
Ela livra-se do Chiclet com dois dedos. Agora são candeeiros de rua, de quando em quando, a oferecer-lhe uma sombra comprida. Ela não é alta, mas tem a elegância que apetece quando não se tem muito a perder.
Foi nesse instante que o vi a aproximar-se dela. Pedia tabaco, ou qualquer pedido desse tipo. Ela não o olhou, não viu o punho cerrado a desferir o golpe que a atordoou. Pôs-se em cima dela.
Avancei sem ninguém dar por nada, com um ferro das obras na mão. Pu-lo KO.
Não sei se o matei, abri-lhe o crânio.
Ela sacudiu o casaco que a cobria, não agradeceu, mas olhou-me com alívio.
Foi-se.

<< Home