Rita

Sonho com uma terra escura. Ventosa.
Meia dúzia de blindados enferrujados distribuem-se pela paisagem, árida.
A tua terra está impregnada de sangue, tu sabe-lo.
A nossa guerra foi há tanto tempo.
Secou por não ter ideias.
Disseste-me: «temo a repetição, não seres novidade.»; e todos os dias eu era outro, sem me cansar de te arrombar sem perdão. Não chegaste perder todo o segredo.
Não me olhavas quando me falavas em tom grave. Preferias dedilhar um cigarro, afagar uma cortina, mirar o tempo agressivo que fazia.
O que gostava em ti, era a indiferença que impunhas ao acessório. Mesmo acessível, continuavas impossível de atingir. Eu tão descartável como o teu maço vazio.
Ainda tinha tanto por aprender. Não estava preparado. Procurava amor.
«És um tonto. Não existem pessoas boas.»
Tu só querias companhia, discussões com resultado, contemplar, reflectir.
O mar deixou de ser bravo, em Maio.

<< Home